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sábado, 22 de setembro de 2012

Dia Nacional da Juventude


Hoje, dia 22 de setembro, é comemorado o Dia Nacional da Juventude. No Brasil, os jovens são cerca de 48 milhões em uma população de mais de 190 milhões de habitantes.Questionadores e sonhadores os jovens vem sendo valorizados e ganhando espaço nos últimos anos. A juventude e as novas gerações são cada vez mais reconhecidas como uma parcela da população fundamental para o processo de desenvolvimento de qualquer nação.

Em 2005, o Governo Federal iniciou a construção de uma Política Nacional de Juventude com a criação da Secretaria Nacional de Juventude, vinculada à Secretária-Geral da Presidência da República, do Conselho Nacional de Juventude (CONJUVE) e do PROJOVEM, programa de atendimento aos jovens em situação de vulnerabilidade social. Na época, além de executar o PROJOVEM, a Secretaria Nacional de Juventude assumiu o papel de coordenar as iniciativas executadas por diversos ministérios, numa ação intersetorial que combina um conjunto de políticas estruturantes com programas específicos. A partir dessas ações combinadas, vários avanços foram conquistados nesse período.

A participação juvenil ganhou destaque com a realização da I Conferência Nacional de Juventude, realizada em 2008, em Brasília, com o envolvimento de mais de 400 mil pessoas em todo o país. O debate promovido pela conferência resultou em um documento com 70 resoluções e 22 prioridades que já estão norteando as ações para a juventude em nível federal, estadual e municipal.

O fortalecimento institucional da temática ficou evidente com a criação de secretarias, subsecretarias, coordenadorias, diretorias e conselhos de juventude que hoje estão presentes em cerca de mil municípios e 25 estados, sem esquecer a criação dos Fóruns Nacionais de Gestores Municipais e Estaduais de Juventude, que vieram fortalecer ainda mais essa importante agenda.

Outra dimensão essencial da política juvenil tem sido a constituição de um marco legal, imprescindível para que o Brasil consolide sua política de juventude como política de Estado. Com esse objetivo, a Secretaria Nacional de Juventude participou, estimulou e apoiou os debates em torno das três matérias que integram o marco legal da juventude e se encontram sob apreciação do Congresso Nacional.

Uma conquista importante foi a aprovação da PEC 042/2008, conhecida como PEC da Juventude, que inseriu o termo “jovem” no texto constitucional, no capítulo dos direitos e garantias fundamentais. O Plano Nacional de Juventude, por sua vez, estabelece um conjunto de metas que os governos – federal, estadual e municipal – deverão cumprir em relação à população jovem em um período de dez anos. Temos ainda o Estatuto da Juventude, que foi aprovado na Câmara e seguiu para apreciação do Senado Federal. O Estatuto propõe a definição dos direitos da juventude e a constituição de um sistema de juventude, estabelecendo a responsabilidade das três esferas governamentais no estabelecimento das políticas para a juventude.

Sendo assim, cada vez mais, se consolida no Brasil uma Política Nacional de Juventude que articula a ideia de garantir direitos e gerar oportunidades. Com essa perspectiva a Secretaria Nacional de Juventude busca incluir milhões de jovens, rompendo o ciclo de reprodução da pobreza, e, principalmente almeja aproveitar o potencial das novas gerações para fortalecer o processo de desenvolvimento que está em curso no país.

Fonte: http://www.juventude.gov.br/guia /adaptação Valdir Inácio

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Proselitismo ético

Por Denisson Salustiano
 
 
 
Desde o início do período eleitoral pelo qual passamos, duas expressões costumam persistir na minha mente. Ética e proselitismo político. A primeira é tão famosa quanto os escândalos de corrupção em Brasília. Ela consiste no conjunto dos valores morais que orientam o comportamento humano. A segunda, por sua vez, causa estranheza aos ouvidos menos atentos. Seu conceito está em empenhar-se de maneira ativista a converter pessoas em favor de uma determinada causa política.
 
Sob o pretexto de anunciar as falhas da atual administração e buscar melhorias para a população que ainda carece em alguns aspectos, determinados senhores intitulados de jornalistas esquecem descaradamente os princípios que norteiam o dom de quem escreve. O ‘jornalismo blogueiro’ em Canindé de São Francisco tem armado disparates disfarçados sob o nome de notícia para manipular o leitor menos crítico.
 
A tentativa de destruição da reputação do candidato a prefeito Ednaldo da Farmácia e de sua campanha é algo recorrente em vários escritos publicados recentemente no município. Publicações essas realizadas por ‘jornalistas’ que se dizem preocupados com o bem comum.
 
Entretanto, esses mesmos ‘jornalistas’ não tem demonstrado o menor esforço em esclarecer a população quanto aos escândalos de corrupção nos quais estão envolvidos os candidatos da oposição. Também nunca escreveram nada que ao menos citasse a relação entre a Lei da Ficha Limpa e a possível e justa invalidez das candidaturas oposicionistas. Assim, não divulgando todos os fatos de interesse público, como deveriam por obrigação moral.
 
A credibilidade desses ‘jornalistas’ ao publicar seus escritos é mínima ou ainda inexistente, pois não honram, valorizam ou dignificam o código de ética a quem devem respeito. Ao utilizar a mídia escrita para o benefício do interesse próprio, negam voz e vez à população.
 
“A ética deve acompanhar sempre o jornalismo, assim como o zumbido acompanha o besouro.” (Gabriel García Márquez)


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Jornal da Cidade entrevista Ednaldo da Farmácia "Um bom prefeito é aquele que é capaz de satisfazer aos anseios da população."

O comerciante Ednaldo Vieira Barros, mais conhecido como Ednaldo da Farmácia, estreia na política disputando a Prefeitura de Canindé do São Francisco. Apoiado pelo atual prefeito Orlando Andrade, ele conta que é um empresário pioneiro que chegou há muito tempo na cidade. Ednaldo diz que Orlandinho realizou uma boa administração e que Canindé vem crescendo muito, e contesta a informação de que a cidade tem “tanta pobreza” como alguns acham. Leia a seguir a entrevista que ele concedeu ao JORNAL DA CIDADE. Confira a seguir.

JORNAL DA CIDADE - Por que o senhor quer ser prefeito de Canindé do São Francisco?

Ednaldo Vieira - Cheguei em Canindé em 1985. Acompanhei a política do município desde aquela época. Eu e minha esposa Débora, a primeira comerciante do ramo de confecção da cidade, somos pioneiros no setor comercial desta nova Canindé. Presenciei todas as transformações sociais, culturais e políticas desta terra que me acolheu e eu adotei nestes quase 30 anos. Criei meus filhos aqui, participei do desenvolvimento econômico, e construí muitas amizades. Amo esta terra e sou querido pelo povo. Como empresário, pai de família, canindeense de coração me sinto realizado, contudo, creio que posso contribuir muito mais ainda para com o nosso município e munícipes.

JC - Um bom prefeito, além de lidar com questões administrativas deve fazer projetos, lidar com a base de vereadores e buscar recursos em Brasília, entre outras coisas. O senhor acha que possui experiência política para isso?

EV - Um bom prefeito é aquele que é capaz de satisfazer aos anseios da população. Deve amar e conhecer profundamente a terra em que mora e trabalha, deve se cercar de auxiliares competentes, de profissionais eficazes; deve ser um homem de boa índole, honesto, com passado limpo, sem envolvimentos em falcatruas. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o nosso maior exemplo de que, mais do que experiência administrativa, o importante é estar comprometido com o povo. Conheço como ninguém a nossa realidade, os nossos anseios e necessidades. Sou inteligente, terei uma equipe competente, tenho experiência administrativa e saberei elaborar projetos, dialogar com os vereadores e captar recursos nas demais esferas de poder.

JC - Na sua avaliação, qual é hoje o principal problema de Canindé e qual é a solução que o senhor apresenta para ele?

EV - Vamos falar francamente: não há o principal problema. Existem problemas inerentes a toda cidade que se desenvolve. Mas posso dizer com segurança que temos de enfrentar as demandas que aumentaram muito a partir do momento que o prefeito Orlandinho promoveu ações que mostram à população que todos têm direito à melhor qualidade de vida. O último censo em Canindé revelou o crescimento da população em dez mil habitantes. Minha obrigação é responder positivamente às exigências que são justas. Como prefeito, creio ser leviano apontar este ou aquele problema como maior ou mais importante. Todas as áreas merecem atenção.

JC - O governador Marcelo Déda disse que o peixe do PSC, o seu partido, é uma traíra. No entanto ele apoia a sua candidatura. Porque isso acontece? Não te incomodou o comentário?

EV - Não, não me incomodou. Não serei leviano em julgar o Governador Marcelo Déda por uma frase, por uma palavra. O Governador, com a experiência, com a vivência política que possui, com a competência em governar o Estado de Sergipe, me honra com seu apoio. E se ele me apoia é por que ele acredita que corresponderei aos anseios do povo de Canindé e que também estarei ao seu lado sempre. Por gratidão e por compromisso com a política feita de forma ética, limpa.

JC - Sendo eleito você será um prefeito que em 2014 provavelmente terá que escolher entre dois prováveis candidatos a governador: um do seu partido e outro ligado ao governo. Já pensou nisso? Como fará essa escolha? Poderá ficar contra o seu partido?

EV - Esta é uma pergunta que não deve ser respondida de forma irrefletida. Creio que o bom senso recomenda esperar a evolução política dos próximos anos. Escolhas sempre são feitas. Este diário, por exemplo, escolheu esta pergunta para ser dirigida a mim por motivos que o senhor entende como justos. As escolhas serão feitas, as decisões serão tomadas no seu devido tempo, sem arrogância, sem pretensão, mas, sim, com o discernimento necessário.

JC - Porque Canindé dispõe de tantos recursos e ainda existe tanta pobreza no município?

EV - Primeiro, não existe “tanta pobreza” como a pergunta insinua. E por ser comerciante, falo com conhecimento de causa. As pessoas bem informadas sabem que Canindé é um dos municípios que mais cresce em Sergipe e possui uma economia pujante e sustentável. Para se ter uma ideia do nosso desenvolvimento, em menos de oito anos, mais de 340 empresas foram criadas, número bastante expressivo e muito invejável. Na gestão do prefeito Orlandinho, criou-se mais empresas do que em todos os anos de existência do município. Por estarmos localizados numa região fronteiriça, entre os estados da Bahia, Alagoas, e muito próximo de Pernambuco, recebemos milhares de migrantes destes estados. Estes migrantes, que fogem da miséria. Acolhemos e prestamos serviços para cidadãos de outros municípios de Sergipe, Bahia e Alagoas. A notícia inverídica de que Canindé tem muita pobreza tem como objetivo denegrir a boa administração do prefeito Orlandinho e, por conseguinte, atingir a minha candidatura. Chegam ao ponto de inventarem IDH falso do nosso município, pois sabemos que a última divulgação do mesmo ocorreu em 2003. Temos migrantes pobres em busca de um lugar ao sol, mas não temos pobreza como tentam pregar.

JC - A arrecadação de Canindé atrai políticos para disputarem a prefeitura?

EV - Esta é uma pergunta que muitos canindeenses estão fazendo neste período eleitoral. Só após longos anos de trabalho e participação no crescimento de Canindé, contribuindo para a geração de emprego e renda, participando efetivamente do desenvolvimento político, cultural e social desta terra abençoada por Deus, só agora, sinto-me preparado, capacitado, para administrar a prefeitura. E se a arrecadação de Canindé é alta, que bom para nós que moramos, vivemos, trabalhamos em Canindé. Ao prefeito (se é realmente um político que repudia o escândalo, as máfias, os atos imorais) cabe a lisura, o zelo, a transparência no trato da coisa pública. É o que farei: lidar de forma honesta com os recursos públicos. Sou e faço questão de me manter ficha limpa.

JC - Cite um projeto seu para a área da Saúde e outra para a Educação.

EV - Um projeto apenas não representa nossa disposição para realizar ações positivas nessas duas áreas. Creio que, na área da Saúde, temos que investir pesado na aquisição de equipamentos modernos para o novo hospital e ampliação no quadro de médicos especializados. Se Canindé é o segundo município em qualidade de atendimento do SUS, segundo o Ministério da Saúde, vamos buscar o primeiro lugar. A continuidade na ampliação do sistema de esgotamento sanitário, que hoje atende a toda sede municipal, será uma prioridade para os povoados de Curituba, Capim Grosso e Cuiabá. Saneamento básico também é sinônimo de Saúde, vamos investir.

JC - Como está o problema da seca na região? Os governos federal e estadual tem conseguido resolver a questão? A população ainda passa dificuldades?

EV - Sim, as dificuldades existem. Negar isso seria pura covardia, pura hipocrisia. Não posso responder pelo governo de Orlandinho, mas sei que não falta água para consumo humano e animal em nenhuma comunidade do município. Estamos levando adiante ações que buscam, pelo menos, minimizar os efeitos naturais da seca. Mas, como candidato, tenho obrigação de apresentar soluções. O Programa Água no Campo é uma delas. E sei que terei bom trânsito com os governos estadual e federal para buscar recursos.



segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Brava Gente Brasileira


Por Denisson Salustiano

“Agentes públicos que se deixam corromper e particulares que corrompem são, corruptos e corruptores, os profanadores da República, os subversivos da ordem institucional, os delinquentes, os marginais da ética do poder”. As palavras do Ministro do Supremo Tribunal Federal – STF, Celso de Mello, resumem a indignação geral do povo brasileiro com a corrupção ainda reinante na administração do dinheiro público. Elas representam a evolução no tratamento destinado aos corruptos, sobretudo os políticos, dando-nos motivos para comemorar os 190 anos da proclamação de independência.

Exatamente há um ano, o Congresso Nacional absolvia a deputada Jaqueline Roriz. Flagrada recebendo dinheiro do chamado mensalão do DEM de Brasília, não recebeu punição alguma. Aliás, após receber a absolvição do Conselho de Ética da Câmara, ela foi convidada a integrar a Comissão de Revisão de Normas do Código Civil Brasileiro. O fato dispensa comentários.

Parafraseando o ilustre sergipano Ayres Britto que, por sua vez, citou o padre Antônio Vieira, “o avanço no patrimônio público e o fazer do patrimônio público um prolongamento da casa, da copa, da cozinha são coisas antigas neste Brasil”. Porém, os tempos são outros. Para o bem do povo e felicidade geral da Nação, o STF começa a fazer história ao apontar o fim da impunidade para quem rouba o bem público. Cinco dos 37 acusados a participar do maior escândalo de corrupção da história política do país já foram condenados. O milhão de assinaturas que fizeram ser aprovada a Lei da Ficha Limpa espera que os outros 189 milhões de brasileiros a façam valer.

Os jovens de Canindé de São Francisco, sobretudo, torcem para que toda a sociedade canindeense faça valer essa lei. Mesmo temporariamente liberados pela justiça, que os candidatos fichas-sujas sejam derrotados pela memória do povo, nas urnas. Pois não existe pessoa mais indigna de cargo público que aquela que rouba de seu próprio povo. A cada desvio de dinheiro público mais uma criança passa fome, mais uma escola fica sem merenda, mais uma localidade sem saneamento, sem mais um hospital, sem ambulâncias.

"Acreditávamos que tínhamos conquistado a independência, mas não tínhamos. A mesma corrupção, o mesmo saque, o mesmo terror estão aí." 

Anna Hazare


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Futuro roubado, MAS DEVOLVIDO.


Postado no blog:  http://vosdajuventude.blogspot.com.br
Por: Denisson Salustiano

Ao pesquisar sobre as falcatruas promovidas por antigos prefeitos em Canindé de São Francisco, um amigo me enviou uma matéria da revista ISTOÉ. Assinada pelo jornalista Mário Simas, ela foi publicada em 5 de julho de 2000, na edição 1606. Ali podemos notar a situação caótica em que o nosso município vivia, fazendo comparações com a realidade atual. Chama-nos atenção, porém, as críticas registradas pelo jornalista Luiz Eduardo Costa. O mesmo que, atualmente, compartilha do mesmo palanque político que aqueles a quem criticou. De fado, a ganância pelo poder ainda vale muito para alguns.

Abaixo segue transcrita a reportagem.

FUTURO ROUBADO

Ou o Brasil acaba com a corrupção ou a corrupção acaba com o Brasil. É o que mostra o uso do dinheiro público em duas cidades do Nordeste.



Mario Simas


Canindé de São Francisco, em Sergipe, tem cerca de 15 mil habitantes. Em Paulo Afonso, na Bahia, vivem aproximadamente 150 mil pessoas. As cidades são vizinhas e, por causa das usinas hidrelétricas de Xingó e de Paulo Afonso, arrecadam mensalmente R$ 2,8 milhões, em média, cada uma. Em Canindé, falta lousa e até parede nas escolas. Em salas de pau-a-pique, sem luz, misturam-se, no mesmo horário, alunos da primeira, segunda e terceira séries. Em Paulo Afonso, as escolas rurais são equipadas com ar-condicionado e onde não há luz elétrica a prefeitura capta energia solar. O prefeito de Canindé, Genivaldo Galindo da Silva (PSDB), é acusado de desviar dinheiro público e de contratar um pistoleiro para matar o radialista que denunciava suas falcatruas. Em Paulo Afonso, o prefeito Paulo Roberto de Deus (PFL), investe em educação 25% do orçamento. A comparação entre esses dois municípios do sertão mostra, na prática, como os efeitos da corrupção atingem a população e até a perspectiva de futuro.Os 15 mil moradores de Canindé de São Francisco deveriam viver como brasileiros de primeira classe. A divisão da receita municipal pelo número de habitantes indica que cada família com cinco pessoas poderia receber quase R$ 1 mil por mês, quantia bem superior à renda per capita mensal do brasileiro, em torno de R$ 700. A vida em Canindé, porém, está longe de ser sequer razoável. Mais da metade da população depende do alistamento nas Frentes de Trabalho, com remuneração de R$ 56 mensais. O centro de saúde está praticamente fechado e o investimento público na educação é zero. No Povoado do Faixa, uma vila localizada a 20 minutos do centro, a escola Nova Iguaçu é uma varanda anexa a um bar. Erivan Santos é o professor e dono do bar. Ele leciona ao mesmo tempo e no mesmo lugar para 25 crianças da primeira, segunda e terceira séries. A escola não tem paredes e um pedaço de madeira com 60 centímetros de comprimento faz as vezes de lousa. Quando chove as crianças são levadas para o bar, onde se acomodam sobre duas velhas mesas de sinuca. “Não tinha escola por aqui e resolvi ajudar essas crianças”, conta Erivan, que recebe R$ 150 por mês da prefeitura.

No povoado Olho D’água, a escola não tem luz elétrica e funciona em um dos cômodos de um casebre de pau-a-pique. A sala, sem janela, tem oito metros quadrados e para chegar à escola algumas crianças caminham cinco quilômetros, embora o governo federal mantenha em Canindé uma van Topic para o transporte dos alunos. No início de junho, ISTOÉ constatou que a prefeitura usava o carro para fazer o cadastramento dos lugares onde serão instaladas as urnas eletrônicas para as próximas eleições municipais. “Esta cidade não precisa de recursos federais e estaduais. O problema de Canindé é a corrupção”, diz o deputado estadual Gilmar Carvalho (PT).

A cidade de Paulo Afonso, com a mesma receita e dez vezes mais habitantes do que Canindé, tem 75 escolas e cerca de 17 mil alunos na rede municipal. A Escola Rita Gomes de Sá, na vila Malhada Grande, na zona rural, tem seis salas de aula, refeitório, câmara frigorífica para armazenamento da merenda, cozinha industrial e um auditório equipado com ar-condicionado, televisão a cabo e videocassete. “As 50 escolas rurais são exatamente iguais”, diz a secretária de Educação, Maria Lúcia Cabral. Para reformar e equipar cada uma dessas escolas, a prefeitura investiu R$ 120 mil. Na escola da Vila do Papagaio o investimento foi de aproximadamente R$ 300 mil. Como não há energia elétrica na região, o prefeito instalou um captador de energia solar e hoje há até ar-condicionado nas salas de aula. No centro da cidade, um antigo sanitário público foi reformado e abriga a Escola Municipal de Informática, equipada com 41 computadores. Dali, saem 624 alunos por ano.

Corrupção e assassinato – A explicação para a desigualdade entre as duas cidades pode estar no Ministério Público de Sergipe. As denúncias contra o prefeito Galindo são tão volumosas quanto o seu salário de R$ 18 mil, três vezes maior do que o do prefeito de São Paulo. Uma das acusações envolve a Cooperativa Prestadora de Serviços de Sergipe, empresa criada em 1997, que nunca teve um único cliente antes de assinar um contrato com a prefeitura no valor anual de R$ 6 milhões. Todos os meses, a cooperativa emite notas fiscais e recebe até R$ 500 mil da prefeitura. Entre os prestadores de serviços estão de varredores de rua até veterinários. “O problema é que nunca esses profissionais são vistos na cidade”, diz o empresário Luiz Eduardo Costa, proprietário da rádio Xingó FM, em Canindé.

Outra irregularidade é o aluguel, por R$ 28 mil mensais, de 14 Kombis da Locaju, empresa com sede na rua Santa Luzia, 26, em Aracaju. ISTOÉ foi ao local e encontrou uma sala vazia. Na lista telefônica de Sergipe, no endereço da Locaju consta o nome de Francisca Cilene Galindo, mulher do prefeito de Canindé. Apenas com o dinheiro pago à Cooperativa e à Locaju, o prefeito tucano poderia construir em Canindé, mensalmente, quatro escolas como as de Paulo Afonso. “Já temos as assinaturas necessárias para iniciar uma CPI, pois não é possível que a corrupção continue a reinar”, diz o deputado Carvalho, que só se desloca a Canindé com proteção policial.

As preocupações do deputado têm sentido. A folha de antecedentes do prefeito Galindo registra prisão por porte de armas contrabandeadas e processos por ameaça de morte. Em março, ele disse em público que mataria o radialista Zezinho Cazuza, que diariamente denunciava as falcatruas promovidas pela prefeitura. No dia 13, depois de sair de uma festa, Zezinho foi assassinado com um tiro de escopeta. Dois dias depois, a polícia prendeu o tratorista José Ferreira Melo, conhecido como Zé de Adolfo. Ele confessou o assassinato, entregou a arma do crime e disse ter feito tudo por ordem do prefeito. “O doutor Galindo prometeu me pagar R$ 3 mil para matar o Zezinho Cazuza. Na hora me deu R$ 500 e eu fiz o serviço. Foi fácil”, afirmou Zé de Adolfo a ISTOÉ. “Com os R$ 500, comprei a arma e troquei dois pneus do meu carro. Ele ainda tem que me pagar R$ 2,5 mil.” Na primeira semana de junho, a polícia e o Ministério Público colocaram Zé de Adolfo e Galindo frente a frente. O tratorista-pistoleiro foi enfático ao reafirmar que fora contratado para matar o radialista.