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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Luta por campus da UFS no 'Sertão' ainda é um sonho distante

Foto: Divulgação
CANINDÉ, Sergipe - O reitor da Universidade Federal de Sergipe, Angelo Roberto Antoniolli, é categórico em seu artigo ao falar dos desafios para implantação do campus da UFS no interior sergipano. Vale apena conferir. 










por V. Inácio, da redação


Existe uma impressão no inconsciente coletivo de que nos dias de hoje é fácil promover algumas mobilizações, ampliar as discussões em torno do tema, procurar o apoio da instituição de ensino e logo em seguida buscar o aprove-se do Ministério da Educação (MEC), em Brasília, para que seja autorizada a construção de um campus universitário de uma Instituição Federal de Ensino Superior. Mas não é bem assim. Há uma série de outras exigências às quais devem se submeter os interessados em obter sucesso em seu objetivo.

Como primeiros passos, o encaminhamento apresentado no parágrafo anterior parece muito importante. E é. O processo de mobilização e aceitação popular é essencial. Mas o resultado pode não ser o desejado, pois tudo depende, na verdade, da existência de lei federal garantindo quadro de pessoal docente e técnico-administrativo, verbas para a execução do projeto e o apoio político para fazer com que o pedido seja concretizado e, depois, já na fase final, compra de equipamentos para funcionamento.

As condições propícias já relatadas aconteceram na primeira década deste século, no governo do então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e vários Estados foram contemplado, inclusive Sergipe, onde a UFS obteve autorização para colocar em funcionamento os campi de Itabaiana (em 2006, via MEC) e Laranjeiras ( 2008, numa parceria entre o MEC e o Ministério da Cultura - Minc). Feito isso, o número de estudantes universitários no Brasil triplicou, até porque em um momento anterior, o governo autorizou a criação de mais cursos e ampliação de vagas nos já existentes.

A UFS aproveitou a onda da expansão do ensino público superior federal gratuito muito bem. Foram ampliadas as vagas nos cursos já existentes e criadas opções de turnos. Isso elevou o número de alunos de menos de 10 mil para quase 20 mil. O número voltou a crescer e hoje supera a casa dos 30 mil com os novos campi e mais novos e recentes cursos, inclusive de mestrados e doutoramentos. Portanto, a expansão do ensino superior, via o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), que tinha como meta dobrar o número de alunos nos cursos de graduação em dez anos, a partir de 2008, e permitir o ingresso de 680 mil alunos a mais nos cursos de graduação, foi um sucesso em Sergipe, onde o crescimento passou dos 300%. Esse percentual inclui os alunos dos 14 polos de Educação à Distância, também criados no Governo Lula.

No interior de Sergipe, há mobilizações por campus da UFS no sertão, onde Nossa Senhora da Glória e Poço Redondo disputam abriga-lo e Estância, que deseja ser um polo das engenharias. É possível Sergipe ser contemplado com os dois campi? Sim e não. Sim, se houver a iniciativa do Congresso Nacional de aprovar lei criando vagas para professores, técnicos-administrativos e verbas específicas para essa finalidade. Não, se nada do que foi citado anteriormente for feito.

Portanto, a UFS, assim como outras instituições de ensino, podem crescer ainda mais. Mas tudo depende da existência das condições propícias legais, que podem ser geradas à partir da vontade dos políticos no Congresso Nacional. É por isso que não prometemos o que não podemos fazer. Sabemos dos nossos limites, embora, também como todo e qualquer cidadão, sonhemos sempre em derrubar as barreiras para transformar esse desejo em realidade. Então, é bom colocar os pés no chão, mas não vale perder a esperança. Fique de olho no futuro. O sonho não acabou.

Angelo Roberto Antoniolli 
Reitor da Universidade Federal de Sergipe


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