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sexta-feira, 31 de outubro de 2014

COMENTANDO AS DEMISSÕES DA PREFEITURA DE CANINDÉ

Em tempo de recessão, assim como é pregada diariamente em nosso Município, cabe ao prefeito fazer um reajuste, ou melhor, uma nova reorganização da estrutura administrativa do Município. Mas como assim?

Pois bem, ao invés de manter gastos com 20 órgãos diretos – secretarias, procuradoria, coordenadoria, secretários adjuntos e outros cargos comissionados, o prefeito da cidade tem por obrigação fiscal respeitar a legislação em vigor. E, isso implica em manter o nível aceitável com os gastos públicos conforme prevê a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Trocando em miúdos, o prefeito tem que enviar para a Câmara Municipal uma nova lei para reorganizar administrativamente e financeiramente o município de Canindé. Pois caso contrário todos os cidadãos canindeenses sentirão ainda mais os impactos negativos de uma gestão sem planejamento, coisa que não quero acreditar.

Administrar uma empresa requer atitude, conhecimento e acima de tudo coragem para fazer as mudanças e ponderações necessárias. Assim também é com a Administração Pública, o prefeito tem que cortar na pele e dá primeiro o exemplo de que está verdadeiramente preocupado com a questão financeira do Município.

Uma vez a Prefeitura com menos secretarias e menos despesas, com certeza terá condições financeiras para manter em dias os salários e contratos para manter os serviços necessários em favor do povo canindeense. Agora, cabe lembrar que o Parlamento Municipal através dos senhores vereadores precisam também dá exemplo cortando gastos desnecessários no Poder Legislativo. Mas existem gastos desnecessários?

Sim existe. É inadmissível uma Câmara de Vereadores ter em seu orçamento anual um valor exorbitante de quase 7 milhões de reais. É verdade que existe despesas como salários, transporte e auxílio para os edis. Em miúdos, a Câmara de Vereadores recebe um percentual garantido por lei que dá para manter um Poder Legislativo de 21 vereadores. Ou seja, no máximo 300 mil reais são suficientes para quitar todos os compromissos com os vereadores, pois o que passa disso é utilizado de forma não transparente.


Enfim, toda essa crise que atormenta a todos pode ser encarada como uma oportunidade para os políticos darem uma resposta positiva ao povo. Mostrar ações concretas que ataque e resolva o problema é um indicador positivo para a sociedade voltar a acreditar nos políticos locais. 

Valdir Inácio
Graduado em Gestão Pública

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

CARTA ABERTA DE UMA MINEIRA A AÉCIO NEVES


Passei 20 anos da minha vida morando em Juiz de Fora, estado de Minas Gerais. Já na minha infância, no ápice do neoliberalismo dos anos 1990, sentia com força o que era ter um prefeito, governador e presidente tucanos.

Comida contada, meu pai pulando de emprego e tendo de vender bijuterias para complementar a renda, escola pública caótica, professores desmotivados, despreparados.

Uma professora, racista, utilizava termos como “macacos do morro” e “traficantes mirins” para nós, refirmando que não tínhamos futuro.

E, realmente naquela conjuntura a tal professora não estava dizendo nenhuma mentira. Afinal, o método de aprovação automática permitia que o aluno passasse de ano sem saber absolutamente nada.

Assim, éramos tratados como gado. Mais tarde soube que até em uma tal de UFRJ, faltou luz. Vivi os tempos em que o tucano Eduardo Azeredo, ex-governador de Minas, criou o que se convencionou chamar na mídia hoje de “Mensalão Mineiro” (aquele que nunca vai ser julgado). Ele torrava dinheiro aos montes, com showmícios faraônicos (lembro bem de Zezé de Camargo e Luciano em vários deles, será coincidência?), largando os mineiros à mercê da sua própria sorte.

Com Aécio eleito, em tempos de Lula na presidência e que as pessoas diziam que esperança tinha vencido o medo, percebi que Minas não estava acompanhando o desenvolvimento do país.

O estado estava completamente engessado, atrasado, setores estratégicos sucateados e terceirizados. Professores que lutavam por um piso salarial decente (e que era então o pior do país) na eram tratados na base da pancada pela tropa de choque em atos diante da sede do governo do estado.

Vi senhoras de idade espancadas e jogadas no chão feito pacotes de jornal pela polícia. Vi que o governador, que se dizia tão “preocupado com seu povo”, governava de fato um bairro do Rio de Janeiro, o que os mineiros chamavam de estado do Leblon, um dos metros quadrados mais caros do mundo na zona sul do Rio.

Seu atrevimento e cinismo era um dos pilares de sustentação da campanha midiática: Eu finjo que governo, você finge que acredita.

Outra tática que o eterno netinho do vovô utilizava era comprar a imprensa mineira. O tratamento era simples, bastava falar bem dele para acessar um mundo de privilégios. O jornalista falou mal? À sua espera havia até o popular xilindró, para que ele não voltasse a mexer naquilo que não podia.

Algo parecido acontecia com os jornalista nos tempos da ditadura militar, quando eram tratados de forma semelhante.
Nos últimos dez anos o governo mineiro deixou de investir R$ 16 bilhões em Saúde e Educação, descumprindo o mínimo constitucional.

Na empresa mineira de eletricidade, a Cemig 100% dos lucros são repassados a acionistas, dentre os quais se destaca a empreiteira Andrade Gutierrez.

Para não dizer que ele não construiu nada, construiu sim. Fez cinco aeroportos em cidades com menos de 25 mil habitantes. Um deles, na cidade de Cláudio, custou quase 15 milhões de reais e foi feito na fazenda de um tio seu. Esse escândalo escabroso, como sempre, foi abafado pela mídia mineira e do resto do Brasil. Aquela mídia que se diz “imparcial”.

Ai você pensa que no senado algo poderia ter mudado. Bem, sei lá, vai que o cara amadureceu não é? Só que não, como diz o jargão popular. Enquanto você ai fala mal do Tiririca, ele, Aécio, coleciona muito menos projetos apresentados no Senado que o palhaço paulistano. Sem contar que Tiririca nem faltou às sessões do Congresso, algo que o mineiro fez dezenas de vezes.

Da até pra entender, afinal Aécio não curte muito o ar “seco” de Brasília e, como eu já disse aqui, quem realmente conquistou seu coração foi o Rio de Janeiro.

Aliás, ele gastou 63% do dinheiro recebido por ele no seu mandato de senador com passagens de avião pagas pelo senado com viagens para... o Rio de Janeiro!

Apenas 27% das viagens foram para o estado que o elegeu senador, Minas Gerais. E vamos ser honestos, a presença dele é sempre impactante. O ex-governador de Minas foi parado em uma blitz de trânsito, no Rio e alterado, “deu” uma aula de cidadania e se recusou a fazer o teste do bafômetro.

Outra coisa que a imprensa esconde de Aécio é até pior, para quem é mulher. O Playboy frequentava festas e mais festas no Rio. Até que um dia, segundo o blog do conceituado jornalista Juca Kfoury, Aécio deu um soco em uma namorada. Isso é que é dar aula de Direitos Humanos, não é? Apesar de tentar censurar todos que informaram mais esta atitude do senador mineiro, a Justiça não permitiu a Aécio barrar a informação, pois não considerou caluniosa a nota publicada por Kfouri.

Quem não conhece o passado de Aécio, procure pesquisar e se informar. Não vote em quem quer destruir nosso país, como fez com Minas Gerais, que acabou de se libertar, após anos de destruição realizada pelas hostes tucanas. Aécio não me representa e tenho certeza que não representa você, cidadão que quer o melhor para seu país.

Laís Golveia, jornalista